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 Porteira Fechada - Cyro Martins

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Perfil do Usuário : Aluno de Curso Técnico da Escola Maria Rocha
Data de inscrição : 15/08/2008

MensagemAssunto: Porteira Fechada - Cyro Martins   Qui Out 16, 2008 3:45 am

O Autor:

Nasceu em Quaraí, em 1908. Médico psicanalista, foi contista, ensaísta e romancista. Pertenceu ao grupo de autores do chamado 'romance de 30', na medida em que sua obra se adequou às características levantadas para os escritores que produziram narrativas 'em que são apresentadas de forma direta os modos de existência de sociedades concretas ou supostamente concretas'.

Enquanto nos apresenta o monarca dos pampas, personagem épica na conquista e defesa da terra, Cyro fornece a outra visão do gaúcho: o trabalhador descapitalizado, pobre, desempregado, que substitui o trabalho do campo por um subemprego na cidade - o gaúcho a pé. Não há nada de épico, portanto, nas personagens de Cyro Martins. O Autor morre em 1995.


Obra

A obra é uma narrativa em terceira pessoa ambientada no município de Boa Ventura, região de fronteira do Rio Grande do Sul.
O romance conta a história de João Guedes, um gaúcho pobre que vive com a família, numa pequena propriedade rural arrendada, no interior de Boa Ventura.
João Guedes e sua esposa Maria José, juntamente com seus cinco filhos, sobrevivem da precária renda de uma pequena propriedade rural, a qual repentinamente é vendida e incorporada a um latifúndio sob o domínio de um grande fazendeiro.
Inevitavelmente, João é forçado a sair em busca de um novo lugar para morar com a família.
Muda-se para a periferia de Boa Ventura, lugar extremamente pobre e degradante, que acumula uma leva de miseráveis advindos da zona rural, vivendo em condições sub-humanas de degradação econômica e social. João Guedes, sem emprego e sem alternativa de sobrevivência, entrega-se ao vício do álcool, envolvendo-se no roubo de ovelhas, das quais comercializa os pelegos, para garantir a comida da família.

Com a conivência muda do desespero da esposa Maria José, João é levado pelas circunstâncias ao crime; até que é descoberto e denunciado por um grande fazendeiro, João é preso. Maria José busca socorro junto a uma prima rica, para tirar João da cadeia, esta tenta junto ao futuro genro que é advogado, mas este nega ajuda, por ser filho do fazendeiro denunciante de João Guedes e por que aguarda uma indicação de cargo político.

Dias depois João Guedes é julgado e condenado, mas ganha liberdade.
Ao chegar em casa João encontra uma das filhas em fase final de tuberculose, dada às péssimas condições de vida da família. Sem condições de reagir, João se desfaz do cavalo e por fim da máquina de costura de Maria José. Sem saída para seus problemas e envergonhado pela degradação moral que se abateu em suas vidas, João Guedes é arrastado para a morte. Paralelamente o latifúndio e os grandes proprietários rurais prosperam com invernadas abarrotadas de gado, protegidos pelo poder dominante e pela política centralizadora e protetora das elites do campo.

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA OBRA PORTEIRA FECHADA:

Porteira fechada configura a tirania econômica da classe dominante sobre a massa de trabalhadores rurais. O problema básico é - e continua sendo - o da distribuição, o da exploração das massas. A tirania econômica impõe um assalto à pequena estância; ocasiona a crise, que se traduz no êxodo contínuo às cidades do interior e à capital.

O Rio Grande do Sul dos anos 30 vive uma época de intensa efervescência política, a Revolução de 30 coloca o estado no cenário político nacional com Getúlio Vargas, que após o golpe de 37, cria o Estado Novo, decretando uma Constituição fascista, fecha o Congresso, suspende as eleições, proíbe partidos e censura a imprensa.

No cenário econômico, o Rio Grande do Sul, ainda em expansão no setor agro-pastoril, perde força no mercado nacional, competindo com produtos do centro do país. Reduzida a renda familiar e atingida drasticamente a pequena propriedade, começa a aparecer o excedente populacional nas colônias. É o primeiro passo para o fluxo migratório e o surgimento dos sem-terra.

Fortalecidos, o latifúndio e a elite rural, dá-se início o Ciclo do gaúcho a Pé, um retirante das coxilhas que contribui com o cinturão de miséria na periferia dos centros urbanos. João Guedes é um típico representante do gaúcho marginalizado e submetido a uma degradação sócio-econômica e moral, que culmina com sua morte.A obra de Cyro Martins mostra com fidelidade a sociedade injusta e desigual da época, alimentada pela política do coronelismo centralizador, colocando à margem do sistema uma leva de gaúchos empobrecidos e segregados sem perspectiva de sobrevivência.

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